Marcos Nimrichter
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MARCOS NIMRICHTER, UM ALQUIMISTA DOS SONS
Por Monica Ramalho
   
Era ainda um garoto de 13 anos e lá estava ele com as mãos em posição de ataque sobre as teclas brancas e pretas do piano a fim de interpretar mais um choro. A diferença é que naquele momento, cerca de nove anos após receber as lições iniciais de solfejo e harmonia, havia um regional por trás e um público pela frente. Foi mais ou menos assim a estréia profissional do pianista Marcos Nimrichter, que mais tarde desvendaria sozinho a magia do acordeom.
Ao ler sobre os passos musicais de Nimrichter, algumas informações saltam imediatamente aos olhos: o fato de ter começado a tocar muito jovem e, sobretudo, no complexo meio chorístico, a sólida formação erudita e também a pluralidade sonora que alcançou nos anos seguintes, ao colocar seus dotes a serviço de uma miríade de artistas das mais sortidas vertentes, como Chico Buarque, Dori Caymmi, Zé Ketti, Jorge Ben Jor, Cássia Eller, Moacir Santos, Caetano Veloso, Elza Soares, Mauro Senise, Pascoal Meirelles, Martinho da Vila, Márcio Montarroyos, Armandinho, Stanley Jordan, Michel Legrand, Al Jarreau e Wynton Marsalis.
Em seu primeiro álbum solo, o artista revela-se um virtuoso alquimista dos sons, equilibrando bem as dosagens de samba, jazz, frevo e outros ritmos brasileiros. Também mostra que sabe combinar timbres, recrutando verdadeiros doutores em seus instrumentos. Estamos falando de músicos como Toninho Carrasqueira (flauta), Paulo Sérgio Santos (clarineta), Aloysio Fagerlande (fagote), Carlos Prazeres (oboé) e Phillip Doyle (trompa), do Quinteto Villa-Lobos.



Aliás, os sopros pontuam a maioria das faixas do disco, lançado originalmente pelo Niterói Discos e depois reeditado pela gravadora Biscoito Fino. Outros tantos mestres fizeram seus experimentos no laboratório de Nimrichter – mobiliado exclusivamente por temas de sua autoria -, entre eles a flautista Andréa Ernest Dias, o percussionista Márcio Bahia, o baixista Zeca Assumpção, o trompetista Jessé Sadoc, o saxofonista Marcelo Martins e o guitarrista Rodrigo Campello.
‘Normalmente penso composição e arranjo como uma coisa só. É como também vejo as músicas erudita e popular’, diz o pianista, acordeonista e compositor, cujo sobrenome de grafia e pronúncia difíceis foi herança do avô alemão casado com a avó brasileira. Marcos é filho de fluminense com mineira e, pensando bem, tudo se explica por aí. Ele carrega para a música essa genética múltipla e abrangente.

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POSTADO EM 18/12/2009 @18:55:46